Foz do Iguaçu e uma conversa filosófica

Estes dias recebi um alemão na empresa em que trabalho. Entre uma conversa e outra com o meu inglês esfarrapado e o dele “alemaozado”, ele me disse que o sonho dele era conhecer as Cataratas do Iguaçu. E eu fiquei chocada! Disse a ele que tinha lugares mais interessantes para se conhecer no Brasil e mostrei fotos dos Lençóis Maranhenses. O alemão que basta pegar um trem e estar na suíça ou em menos de 2 horas de voo estar em Paris, quer conhecer as Cataratas do Iguaçu!

Até que esses dias uma pessoa que sigo no Instagram que mora na Suíça (sonho!) postou um vídeo no stories dela das Cataratas e eu disse: UAU! Fiquei realmente impressionada e então lembrei do alemão e dei uma certa razão a ele.

Comecei a buscar algumas informações do local e vi que é o segundo lugar mais visitado por estrangeiros no Brasil. E eu, brasileira, com uma distância de menos de duas horas de voo de lá nunca visitei e estou aqui planejando e sonhando com uma viagem ao exterior. E é lógico, questões filosóficas já começaram a pairar sobre minha cabeça, a crise existencial que tenho vivido desde que a Isadora nasceu começou a aflorar mais e eu comecei a me questionar.

Todo mundo tem o sonho de viajar para fora do país, claro, tem as exceções, mas a maioria das pessoas tem muita vontade. Porém, a realidade é que não é todo mundo que tem condições de fazê-lo. Eu sei que tem gente que nunca poderá tirar uma foto na torre Eiffel, que esquiará nos alpes suíços, que levará os filhos à Disney ou mergulhará em um mar caribenho. Parece frustrante, mas é a realidade. Muitos não entendem essa realidade por não conviver no meio de pessoas que não tem condições financeiras suficientes para ir à praia grande (SP) uma vez ao ano. A situação pode mudar? Pode! Mas eu sei que não vai ser para todas as pessoas do Brasil. Eu não estou sendo pessimista, eu estou sendo realista. Ouço muita gente dizer a tal frase de que “o sol brilha para todos”, mas infelizmente, tem pessoas que tem o seu lugar ao sol mais privilegiado (monetariamente falando).

Neste mundo de rede social, onde até o prato de comida (gourmet é claro) é fotografado, as pessoas do lado de cá da ponte se frustram por não conseguir fazer check-in Paris. E é triste, porque parece que a vida nunca estará completa, que sempre algo faltará, que a busca incessante nunca irá terminar. Não estou dizendo que as pessoas devem parar de sonhar ou de buscar algo, mas não podemos ter uma felicidade que depende de algo para existir.

É filosófico, é, mas devemos SER felizes e não ESTARMOS felizes. Há uma grande diferença nisso! Se felicidade para você não é um verbo, não adianta você rodar o mundo e ter o passaporte todo carimbado.

É preciso ser grato. É preciso ser feliz com o que tem e esse exemplo de Foz do Iguaçu é ótimo para entendermos isso. Quando você vê aquela pessoa que você conhece com um casaco de pele no inverno europeu você certamente desejará estar lá. Se um alemão vê uma foto de um outro alemão na passarela das Cataratas ele certamente desejará estar lá. Aí ele gasta 4 meses de salário dele para vir ao Brasil e nós gastamos um ano de salário nosso (hahaha) para ir até eles.

E isso não é só com viagens, é com tudo na vida. Aquele Instagram clean lindíssimo que as blogueiras tem não refletem na maioria das vezes a vida real. Vi uma blogueira que tem o público adolescente esses dias “divando” em cima da sua Ferrari em frente à sua casa nos Estados Unidos – poxa gente, público adolescente! Desculpa, mas poucos deles conseguirão chegar a esse nível de poder aquisitivo e é por essas e por outras que segundo uma pesquisa feita no Reino Unido o Instagram é considerado a pior rede social para saúde mental dos jovens. Eles querem viver aquela vida virtual e não podem, na maioria das vezes.

Vejo muitas pessoas dizendo que sou abençoada por conta da minha profissão. Verdade, isso é uma benção. Mas eu seria abençoada também se fosse “apenas” dona de casa e cuidasse da minha família. Eu não entendo como ser bem sucedido neste mundo está sempre ligado à dinheiro, não à valores e princípios de vida.

O que quero dizer com tudo isso? Que está tudo bem! Está tudo bem se você nunca conseguir fazer uma viagem ao exterior, ter uma mansão, fazer o enxoval do seu filho em Orlando ou nadar em uma piscina de borda infinita em um hotel luxuoso. Está tudo bem se seu carro é versão 10 anos atrás e se suas roupas são sempre as mesmas. Está tudo bem! Você é uma pessoa bem sucedida independente da sua conta bancária.

Corra atrás dos seus sonhos, mas não se esqueça de ser feliz no caminho até ele. Seja feliz na praia grande, na casa da sua avó na Bahia ou em Paris. A vida é muito além do que o dinheiro pode comprar, reconhecer as bênçãos diárias que temos e sermos gratos é a chave para SERMOS felizes.

Sobre Foz do Iguaçu? Estou programando uma viagem para lá esse ano 🙂

Um comentário sobre “Foz do Iguaçu e uma conversa filosófica

  1. DANIELA DIAS disse:

    OI ju nossa que profundo isso que vc escreveu ….. mas e bem isso mesmo … a sociedade de cobra o tempo todo por cargo e bons salários … mas quem disse que a felicidade está somente ai …..

    Curtir

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