Parto em Casa – Parte 3 – Xiita do parto humanizado

Parto em casa - USAR ESTEVocê leu na primeira parte do post (aqui) as histórias de terror que os médicos contam para que as mulheres “optem” por uma cesárea. Viu no segundo post (aqui) as violências sofridas pela mulher no hospital quando querem um parto normal e além disso as intervenções desnecessárias nos bebês. Aí você decidiu que quer ter um parto em casa para não passar por nada disso tudo.

Fiz então uma lista com alguns itens (e perguntas) que você deve saber ao querer um parto domiciliar, sem muito enredo, vamos direto a ela:

1)      Você tem que querer!

Você não pode querer ter em casa só porque a Gisele Bundchen teve. Você deve REALMENTE ser a xiita do parto humanizado domiciliar hahaha, brincadeira. Você deve entender o que é o parto e o porquê você quer ter em casa, ciente disso nada irá te abalar. Expressões vindas de outros como: “isso é perigoso” entrará em um ouvido e sairá pelo outro.

Você tem que entender que o parto é fisiológico. Mulheres sabem parir, bebês sabem nascer, Deus fez assim. Desculpe-me a expressão, e eu não estou dizendo que é a mesma coisa, mas é “como” fazer cocô, é fisiológico e você não precisa de cirurgia para retirar as fezes (salvo exceções, de novo).

Me perguntaram esses dias se eu tive em casa por questões de religião. Depois de ficar perplexa, eu ri e depois eu concordei: foi sim, por causa de religião. Porque como minha doula dizia, o mesmo Deus que te faz capaz de gerar é o mesmo Deus que te faz capaz de parir. Eu acredito que Deus me fez mulher e preparou o meu corpo para isso, eu acredito que tudo que Ele faz é perfeito e é por isso que eu acredito no poder do meu corpo em dar a luz.

Ai Ju, então você quer dizer que o parto normal é de Deus e a cesárea é do capeta? NÃO !!! Cesárea é uma benção, graças a Deus que deu inteligência aos homens e ela existe, salva muitas vidas, mas quando usada de forma correta. Afinal ninguém faz cirurgia do nada sem realmente ter um problema. Ninguém arranca um rim só porque quer.

Bebês nascido através de cesarianas tem risco maior de apresentar dificuldade respiratória, além de ser internados com mais frequência em UTI neonatal, por nascerem antes do previsto, os órgãos podem não estar totalmente desenvolvidos. E assim como qualquer cirurgia há risco de morte (aumentada) para mãe e também para o bebê. Então eu não acho que cesárea deveria ser escolha de parto e sim algo a ser usado em casos de riscos reais.

Fico pensando: “se os médicos sempre apresentam algum problema para marcar a cesárea, quer dizer que quase 100% das mulheres não tem mais saúde para parir?”. Pensa gente! Perdemos nossa capacidade?

Então, parir em casa deve ser um desejo seu, e lógico, seu marido também deve acreditar nisso.

2)      Não conte para ninguém.

Eu sei que vivemos em uma democracia e que todos tem que respeitar sua opinião, mas tem lutas que não precisamos comprar. Provavelmente se você sair falando que vai ter o bebê em casa você vai ouvir muito: “Que irresponsabilidade”, “Você é índia?” “E se acontecer alguma coisa?!” E uma infinita lista de falas escrotas que você terá que ter paciência para lidar. Provavelmente você vai ficar com raiva, criar uma lista de inimigos, a pressão vai subir… coisas que uma grávida não precisa (e nem deve) passar.

Então não conte, conte apenas para quem apoia você. No meu caso só sabiam meu marido (óbvio), minha irmã e minha mãe.

Eu combinei com o André um nome de um hospital para falarmos toda vez que alguém perguntava e pronto. Não nos chateamos com perguntas escrotas.

Nossa doula nos contou que um casal que ela acompanhou que teria em casa falava: “Vamos ganhar na Santa Casa”. Uma ÓTIMA saída, afinal, sua casa não é santa? 🙂

3)      Você confia nos profissionais que estão te acompanhando?

Se me perguntassem hoje se eu teria outro parto com a parteira (enfermeira obstétrica) que me acompanhou eu diria mil vezes sim, que profissional maravilhosa! E também diria para a doula. Sei que se algo tivesse acontecido não seria por falta de competência, e sim porque teria que acontecer.

E você precisa ter essa certeza, porque se não confiar, não fluirá.

Então pesquise quem é esse profissional, a experiência que tem, quantos partos já acompanhou, qual a formação e etc.

Outra informação importante é saber se a equipe que irá te atender está preparada para isso. Eles não devem chegar só com água quente e bacias como antigamente, mas com alguns equipamentos como cilindro de oxigênio, sonar, estetoscópio para auscultar mãe e bebê, foco de luz, balança, régua e etc. Medicações como soro fisiológico, antisséptico, vitamina K (oral ou injetável) para aplicar no bebê, ocitocina sintética. Materiais estéreis como tesoura, clamper umbilical, luvas e fios cirúrgicos para sutura.

4)      É perigoso?

Se você leu os posts anteriores saberá que no hospital corremos sérios riscos.

Você já leu neste post mesmo que cesárea desnecessária traz riscos seríssimos tanto a mãe quanto ao bebê.

Já ouvi muitas histórias de negligência médica, horripilantes! Você também já deve ter ouvido.

Tenho mulheres na minha família que sofreram MUITA violência obstétrica no hospital.

Há um estudo que diz que parir em casa é mais seguro que no hospital.

A Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) diz que a mulher deve parir no local onde se sinta segura.

Só podem ter em casa mulheres com gestação de baixo risco. Para comprovar isso, você deve fazer o seu pré-natal regularmente, com um médico obstetra, fazer os exames de acompanhamento.

Gravidez não é doença – já ouviu essa da sua mãe ou avó? E elas estão certíssimas. Fora do Brasil é muito comum partos em casa e em casas de parto, hospital é para gravidez de risco. Hospital é para tratar doentes.

Agora, você que tem que tirar as suas conclusões.

5)      Você vai precisar de algumas coisinhas:

  • Você vai precisar comprar algumas coisas, como: lençol descartável, plástico para piscina, panos e fraldas limpas e etc. Para a mamãe, comprar absorventes noturnos e aquelas calcinhas pós-operatório (lindíssimas !! 🙂 )… Ter roupas confortáveis.

 

  • Caso você não tenha banheira em casa e deseja usar a inflável já deixe preparado como irá enchê-la na hora – André teve que comprar um adaptador para encaixar uma mangueira no chuveiro (a banheira foi montada no quarto, então precisava de algo cumprido para levar a água do chuveiro no banheiro ao quarto) porque encher de balde na hora H não dá né?! Então deixamos tudo preparado e a vista. A parteira aconselhou até deixar uma resistência de chuveiro extra, mas como nosso chuveiro era a gás, não foi necessário.

 

  • É bom uns dias antes do previsto para o parto, comprar alimentos fáceis para deixar em casa, pois tanto você como a equipe que vai te acompanhar precisa comer.  Lembro que uns 15 dias antes da Isadora nascer, fomos no mercado e compramos umas bolachas, chás, sucos… e deixávamos sempre a fruteira abastecida. No dia do parto André foi ao mercado enquanto eu ainda estava em trabalho de parto rsrs e comprou os ingredientes para minha irmã fazer almoço e janta para todos nós (privilégios de parir em casa).

 

  • Deixe a sua mala e a do bebê prontas – caso tenha uma emergência e precise ir ao hospital. Isso vale também para os documentos, deixe tudo organizado e junto com as malas.

 

  • Tenha por escrito o Plano B – Você precisa ter escrito para qual hospital quer ser levada caso seja necessário. E ter ciência de que se a sua equipe de parto disser que precisa, você tem que aceitar e ir. Portanto, é indispensável que você confie nos profissionais que estão te acompanhando.

Obs.: Você deve estar se perguntando por que eu falei tão mal de hospital e agora digo que se algo ocorrer é para lá que você deve ir – Pense: quando você tem um resfriado, geralmente você cura em casa com chá e espera alguns dias, agora se você tem algo sério, você vai para o hospital.  O parto é o mesmo conceito. E neste caso, se você precisar de uma cesárea, ela será muito bem vinda, e logicamente em casa não poderá ser feita. Novamente: a cesárea salva muitas vidas, se feita quando realmente é necessária.

6)       Como registrar uma criança nascida em casa?

O profissional que te atender deve ser licenciado para fazê-lo e com esta licença ele emitirá para você a DNV – Declaração de Nascido Vivo. Basta levar esse documento ao cartório e registrar.

Tem alguns cartórios que precisa levar duas testemunhas que conhecem a mãe e já ouvi dizer casos que a mãe teve que mostrar os ultrassons para comprovar, mas creio que isso é mais difícil de acontecer.

No nosso caso (Cartório em Cotia) apenas o pai com a DNV foi suficiente para registrar a nossa pequena.

Parir em casa é maravilhoso, é lindo. É você passar pela experiência mais marcante da sua vida no lugar que você se sente melhor, no pedacinho do céu aqui na terra (pelo menos é assim que considero o meu lar).

É você poder fazer o que quer, comer a hora que quiser, se locomover quando tiver vontade. No meu caso, até o DVD do casamento assistimos, vimos álbuns de fotos…

É você pegar o seu filho no colo e não desgrudar dele em nenhum momento, é amamentá-lo nos primeiros minutos de vida, sentir aquele cheiro do céu ao dar um beijinho nele.

É cortar o cordão umbilical só na hora em que ele parar de pulsar e garantir o máximo de nutrientes para o seu bebê.

É ter o seu marido te acompanhando em todo processo e ver nascer naquele momento um casal com ainda mais amor.

É não ter toda hora alguém diferente fazendo um exame de toque em você.

É ter alguém respeitando seus direitos, seu corpo, suas vontades ao te ajudar a parir.

É perceber que Deus é incrível e só Ele poderia ter feito algo tão incrível assim.

Algumas fontes consultadas e sites que você pode obter MUITA informação:

 http://estudamelania.blogspot.com.br/

https://www.maternidadeativa.com.br/

http://www.gestarpariramar.com/2013/03/o-que-parteira-leva-para-um-parto.html

Espero que eu tenha acrescentado ao menos um pouquinho de conhecimento a você!

Fim 🙂

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