O parto que Deus me deu

Trabalhei até sexta feira, 14 outubro. Me despedi do pessoal no trabalho, disse que ia ficar em casa descansando, fazendo caminhadas para ajudar no parto, esperando tranquila até ela nascer. De lá, fui para a consulta rotineira do pré natal e pegar a carta de afastamento.

De noite assisti um filme com o maridão como de costume, e fomos dormir. As 4hrs da manhã, levantei, fui ao banheiro fazer xixi (quem está ou já esteve grávida entende). Voltei para a cama, senti um geladinho descer, pensei “ah, aqui está tão gostoso, não vou levantar de novo, não deve ser nada”. Daqui a pouco desceu mais um pouquinho até que ficou incontrolável, dei um pulo da cama e sim, era ela, a bolsa havia estourado.

_Mo, a bolsa estourou.

_E agora?

_E agora ela vai nascer!

Mandei mensagem para a Lu, a parteira, a Rosi, a doula e para a Dani, minha irmã. Fui tomar um banho e por incrível que pareça estava super calma.

Falei pra minha irmã que estava com fome. Ela inocente disse: toma um suco! Suco?! Eu vou parir minha filha, quero uma tapioca com queijo e café. Fiz uma tapioca, André um café, comemos. André falou para tirarmos as últimas fotos do barrigão e eu claro, topei:

SAMSUNG CAMERA PICTURES

Falei com a Lu e ela falou pra eu voltar a dormir, que poderia demorar para nascer e eu deveria estar descansada para enfrentar o trabalho de parto. Fomos dormir (SIM! rs) e logo o interfone toca e era Lu. Falei: Lu, como assim, você não disse que poderia demorar? Ela falou que nunca fala que está indo para não perdermos a calma rs.

A Lu me examina e: 1 dedo de dilatação! Falei para o André: Só faltam 9 🙂

Logo a Rosi chega, e logo depois minha irmã. Para minha irmã vir tivemos que orquestrar uma mentira do bem rs, pois ninguém sabia além dela que íamos ter a Isadora em casa (apenas minha mãe) e todos estavam perguntando porque minha irmã tinha vindo sozinha pra minha casa e deixado em casa os filhos dela, marido e visitas rs.

Lu encheu a bola para eu fazer alguns exercícios e ajudar o corpo.  Enquanto eu rebolava a gente conversava e ria; nessa hora eu estava: “ah se for só isso aqui tá sossegado” (muuuito inocente):

SAMSUNG CAMERA PICTURES

Depois fui andar no condomínio com o André. Um sol queeente! Na hora em que vinha as contrações (fraquinhas ainda)parava para respirar.

Voltamos, minha irmã foi fazer almoço e eu já estava com uma fome de leão. Enquanto almoçávamos, conversávamos muito e o silêncio vinha na hora dos meus suspiros a cada contração rs.

Entramos no assunto do nosso casamento e terminamos assistindo o vídeo do casamento e vendo o álbum. Tudo isso em trabalho de parto minha gente!

André foi dormir no quarto, e eu tentei dormir no sofá. Tirava uns leves cochilos nos intervalos das contrações e depois desse cochilinho, o bicho começou a pegar.

Subi para o quarto e ficamos só nós 4, eu, André, Isadora e Deus! A cada contração, bem fortes agora, eu contava. Sim! Contava! Foi o que me ajudou a encará-las. Lembrei do que uma amiga minha tinha falado: “Ju, as contrações vem e vão. Não se apegue a elas porque parecerão que são infinitas”. Então eu contava, 1, 2, 3 e lembro de ir até uns 30. Isso me ajudava a suportar, porque quando estava no 15, sabia que faltavam apenas mais 15 segundos de dor. Fica a dica aí haha

Comecei a pensar que eu estava totalmente consciente e estava com MUITA DOR, aí cheguei a conclusão de que se eu não estava na partolandia ainda (que é o local para onde as mulheres vão no cume da dor e até chegam a ficar inconscientes ) eu ainda não estava no cume da dor (olha o raciocínio da garota em trabalho de parto), e aí veio o famoso momento da covardia e eu só pensava: Cadê a anestesia? Porque eu não quis uma cesárea? E eu só dizia ao André: Eu não vou aguentar! Eu não vou aguentar!

E em um momento lindo, ele começou a chorar e me disse: _Você vai aguentar, você vai conseguir e eu sentirei muito orgulho de você! (O amei tanto mais depois disso).

Lu veio examinar e….. 3 cm de dilatação. 3 meu Deus do céu! Como assim o dia inteiro e 3  – T R Ê S cm???? Ela perguntou se no chuveiro eu me sentia bem, eu disse que sim e então ela me pediu para tomar um banho quente.

No chuveiro, sozinha, a covardia, o medo de não conseguir vieram com tudo e eu comecei a chorar. Chorei igual criança e a Rosi, minha doula, subiu e pediu gentilmente: _Posso ficar aqui com você? Confesso que não queria, mas também quis retribuir a gentileza e disse que sim. E que bom que aceitei. Ela pedia para eu vocalizar a dor, abaixar quando viesse a contração para ajudar a dilatar e assim seguimos.

Saí do banheiro e a Lu estava conversando com o André e me disse: _Ju, estava falando com o André, acho que seu colo do útero pode estar torcido e por isso você não está dilatando. Falei pra ele que tem um exercício que pode ajudar, só que ele é meio chatinho. Você topa fazer?

E lógico que eu topei. Qualquer coisa para me ajudar a dilatar eu faria. Até plantar bananeira e foi exatamente isso que tive que fazer “rs”.

Tive que ficar de joelho em um bau que tenho aqui em casa, em cima ele é estofado. Quando vinha a contração a Lu e a Rosi me colocavam de cabeça para baixo e depois quando passava elas me colocavam de volta para cima. Fiz isso por 3 ou 4 vezes. Nesta hora, só ficamos nós três lá no quarto. André e minha irmã desceram para não me ver sofrer mais ainda.

Depois do exercício, Lu me examinou e??? 8 cm de dilatação! O I T O minha gente! Pensa na felicidade!! Que santa sabedoria da Lu. 5 cm em menos de 1 hora.

Então na verdade, eu já estava no cume da dor. Mas não estava dilatando por causa do colo estar torcido.  Ufa! Não ia ficar pior do que aquilo \o/ Deus realmente sabe, até onde aguentamos. E quanto a inconsciência, não a senti, fiquei consciente o tempo inteiro.

Hora de encher a banheira. Quando entrei, que delícia! Como relaxava, queria dormir. Mas a contração não deixava haha. Dilatação Total! Senti vontade de fazer força e aí começou a parte mais difícil para mim. (Não que o caminho até aqui tenha sido fácil haha).

Não conseguia fazer força dentro da água. Lu percebe isso de imediato e fala: Quer ir para a banqueta de parto? Lá talvez você você consiga.

Vamos para a banqueta. Força. Força. Força. Nada.

Vamos para a cama. Força. Força. Força. Nada.

Volta para a banqueta de parto. Força, Força, força.. Volta para a cama. Nada.

Volta para a banqueta. Respira direito Ju. Descansa. Força. Descansa. Não fecha as pernas. Força. Descansa. Não fecha as pernas.

Minha irmã teve que segurar uma perna e a Rosi outra, porque sempre tive reação de me contrair quando sinto dor, e no parto não foi diferente.

André atras de mim dando apoio. Força. Respira. Descansa. Força. Respira. Descansa. E Nada!!

A doula: _Posso ficar atras de você? Eu e André concedemos e ela: _Coloca toda a sua força em mim, pode me apertar! (Tadinha) e o ciclo de novo: Força, respira, descansa.

Até que a Lu olhou para mim e disse: _Ju, você está com medo de ser mãe? Não tenha! Deus já te fez mãe. Você será uma mãe maravilhosa. Se Ele te deu a Isadora é porque sabia que você seria uma boa mãe. Faz a maior força que você conseguir!

E aí depois de ouvir isso, pedi desculpas (acredita?!) fiz a maior força do mundo, fui para outro mundo (será a partolândia?!) e de repente, depois de duas horas de expulsivo, ouvi um choro. O choro que me tirou do mundo para o qual eu tinha ido aquela hora, o choro que me disse: Agora eu to aqui, você definitivamente é mãe!

Abri os olhos e vi, minha filha linda que tinha gerado por 9 meses. A peguei no meu colo, comecei a chorar (e o papai também, e a titia também, e a enfermeira que estava acompanhando também rs) e falei: oi filha!

Lu tirou uma circular de cordão e me entregou.

Isadora nasceu as 22:45 do dia 15 de outubro de 2016, após quase 20 horas de trabalho de parto.IMG_20170415_091911_861

Fomos para a cama. O meu seio já começou a pingar o colostro imediatamente. A Lu me mostrou e eu disse: _Achei que não ia ter leite! E ela disse: _Deus faz tudo perfeito!

Isadora veio imediatamente para meu peito, mamou e depois de largar chorou por meia hora e ninguém conseguia acalmar. Ela já estava mostrando sua personalidade forte que descobriríamos um pouquinho mais tarde.

Logo depois a placenta saiu. A Lu suturou dois pontinhos na pequena laceração que tive. Jantei (sim!) e dormimos nós 3 na cama, quer dizer, a mamãe aqui não conseguiu dormir porque toda hora colocava o dedo no nariz da cria para ver se estava respirando rs.

E assim foi o meu parto, aquele que Deus me deu. Não poderia ter sido mais perfeito.

 

14 comentários sobre “O parto que Deus me deu

  1. Raquel disse:

    Vários sentimentos de acordo com os trechos que ia lendo. Quero ser mãe! Nãooooo, eu não quero! Será que eu aguentaria?E finalizei com: Seja o que Deus quiser, hahaha (joguei no colo dele, bem mais fácil).Amei a sua história.Bjs

    Curtido por 1 pessoa

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